Planejando o estudo: conhecer o estilo da banca organizadora faz a diferença
As disciplinas de direito fazem parte de concursos para cargos de nível médio e superior, não se limitando a concursos da área jurídica para tribunais, promotorias, procuradorias ou defensoria pública. Em concursos concorridos como do Banco Central, Receita Federal e Polícia Federal as matérias de direito têm grande peso na prova e, por isso, o candidato que se sai bem nas disciplinas aumenta as chances de ganhar a vaga no setor público.
Conhecer as características da banca examinadora do concurso que irá prestar pode ser o diferencial para uma boa prova.
| Organizadora | Tipo de prova | Grau de dificuldade | Orientação de estudos | Orientação para resolução da prova |
| Cespe/UnB | Questões do tipo certo ou errado. Cada opção poderá estar certa ou errada, independente uma do outra. Cada item que o candidato errar anula um que acertou. Porém, as questões que não forem respondidas não serão computadas. Portanto, evite chutes, se o chute for errado, você vai acabar anulando uma questão certa. Se não sabe, melhor é deixar em branco. A organizadora tem preferência por determinados conteúdos e abordagens. Normalmente não cobra todos os itens do edital. | A cobrança é mais voltada para a “letra de lei” (questões literais), mas algumas doutrinas acabam sendo cobradas com menor frequência em algumas questões. As questões de direito constitucional são as mais complexas e muito bem escritas. | O candidato deve resolver o maior número de questões de provas anteriores para se familiarizar com os conteúdos e abordagens mais frequentes. | As questões são muito bem elaboradas, com enunciado bem redigido. Questões multidisciplinares são muito comuns. Normalmente abordam direitos diferentes no mesmo enunciado. Atenção e conhecimento em todas as áreas são fundamentais para evitar problemas durante a prova. Como as questões são de certo ou errado, o candidato deve tomar muito cuidado com as “pegadinhas” que são características dessa banca. Deve-se prestar muita atenção nos pequenos detalhes do enunciado e nas alternativas para definir se o item está certo ou não. |
| Esaf | Tem preferência por determinados conteúdos e abordagens, normalmente não cobra todos os itens do edital. | As questões são, normalmente, bem elaboradas, o que exige do candidato mais raciocínio e bom senso durante a prova, com isso o grau de dificuldade dessa prova é, em uma escala, de médio para alto. | A resolução de provas anteriores é fundamental para direcionar o candidato para os conteúdos mais frequentes. | Questões literais, “letra de lei”, podem ser encontradas, mas em um número bem reduzido. A banca prefere questões onde o texto da lei é cobrado de forma indireta, questões sobre doutrinas também são exploradas na prova. A prova de direito tributário, principalmente nos concursos de fiscal, são de grande complexidade e exigem conhecimento do candidato. |
| Fundação Carlos Chagas | Distribui, na medida do possível, as questões por todos os itens do edital. | As questões de direito não são de grande complexidade, porém são pouco previsíveis. | É necessário que o candidato estude todo o conteúdo do edital, pois não há itens que não tenham chances de serem cobrados. | A prova da FCC tem preferência por questões literais, “letra da lei”, com isso, a prova favorece mais a boa memória do que a capacidade de raciocínio. |
| Fundação Cesgranrio | Distribui, na medida do possível, as questões por todos os itens do edital. | As “pegadinhas” são bastante comuns na prova, o que exige muita atenção por parte do candidato, porém a complexidade da prova é moderada. | É necessário que o candidato estude todo o conteúdo, pois não há itens que não tenham chances de serem cobrados. Se o candidato tiver dificuldade de obter questões dessa banca pode substituí-las pelas questões da FCC. As bancas trabalham relativamente com o mesmo conceito de prova. O que muda um pouco são algumas questões doutrinárias, que são raras na FCC. | Atenção na leitura da prova é fundamental. Apesar de o grau de dificuldade das questões não ser muito alto, a capacidade de identificar as “pegadinhas” fará a diferença na resolução da prova. Conseguir administrar a tensão é o primeiro passo para um bom aproveitamento nessa prova. |
| Funrio | A banca vem cobrando questões literais, “letra da lei”, favorecendo mais a memória que o raciocínio do aluno. | As questões têm longos e complexos enunciados, o que põe à prova a capacidade de concentração e compreensão do candidato. | Resolva questões de provas anteriores. Como a banca é relativamente nova, o candidato poderá ter dificuldade em obter questões de algumas disciplinas, para esses casos recomendam-se questões da FCC e Cesgranrio. | Para essa banca o candidato deve evitar perder muito tempo nas questões. Dessa forma a estratégia é buscar resolver as questões mais rápidas, fáceis e menores primeiro para não deixar de responder muitas questões no final da prova. O controle do tempo é fundamental. |
| Vunesp | As questões são distribuídas, na medida do possível, por todos os itens do edital. | As questões, na maioria, são literais, “letras da lei” de complexidade média. Questões sobre doutrinas são praticamente ausentes. Questões conceituais (sobre conteúdo de direito) são pouco frequentes, mas podem ocorrer. | É necessário que o candidato estude todo o conteúdo, pois não há itens que não tenham chances de serem cobrados. | As questões costumam ser curtas e objetivas, o que favorece o candidato com maior capacidade de memorização. Com isso é bom o candidato tomar cuidado com os detalhes no enunciado das questões, pois podem gerar confusão. |
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Por Paulo Estrella ao g1.com.br |
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Alguns tópicos programáticos costumam ser mais frequentes em determinadas bancas do que em outras. O candidato irá perceber isso fazendo as provas anteriores.
Outra vantagem de conhecer a abordagem da banca examinadora é a facilidade de leitura e interpretação das questões, porque muitas vezes a resposta de uma questão de prova anterior pode ser usada como enunciado em uma outra prova.
As provas jurídicas da Esaf e do Cespe/UnB, principais organizadoras do país, têm maior grau de dificuldade em relação às demais bancas. São questões com forte apelo doutrinário (forma como os autores se posicionam sobre a aplicação das leis) e jurisprudencial (maneira como os tribunais decidem sobre as leis). Não adianta conhecer apenas o texto da lei, tem que saber interpretar, conhecer a doutrina dos autores que escrevem sobre as leis e como eles se posicionam, além das jurisprudênciais dos tribunais superiores como Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O tamanho de questão não é documento. As perguntas que têm enunciados pequenos costumam ser bem mais difíceis que as com conteúdo mais extenso. No caso das que tem enunciados maiores, o candidato deve ter paciência de ler até o final. Deve-se estudar de acordo com a jusrisprudência, doutrina e fazer provas anteriores.
Já no caso da Fundação Cesgranrio e Fundação Carlos Chagas, as questões se tornam mais fáceis para quem se preparou decorando a lei. É preciso memorizar o texto legal. As questões são literais, não demandam tanta interpretação.
As provas de direito tem ficado mais difíceis porque o preparo dos candidatos está cada vez mais profissionalizado. Os candidatos devem se prepar com livros de boa qualidade e atualizados. E para quem nunca teve contato com as disciplinas de direito, deve-se buscar cursos curso de introdução às disciplinas e entender como se raciocina juridicamente.
Texto adaptado de matéria divulgada no g1.com.br
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Deixe um comentário 25 de fevereiro de 2010